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Duas semanas, US$ 24 mil e nenhuma linha lida: o compilador de TypeScript que uma IA reescreveu em Rust

Theo Browne publicou o tsc-rs, port do compilador do TypeScript 7 para Rust feito pelo Claude Opus 5.5. O projeto passa nos 181.711 testes portados e checa tipos cerca de 1,6 vez mais rápido que a versão em Go.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • Theo Browne publicou o tsc-rs, port do compilador do TypeScript 7 para Rust escrito pelo Claude Opus 5.5.
  • O projeto passa nos 181.711 testes portados e checa tipos cerca de 1,61 vez mais rápido que o tsc 7.
  • A execução final custou cerca de US$ 24 mil em API ao longo de duas semanas.
Duas semanas, US$ 24 mil e nenhuma linha lida: o compilador de TypeScript que uma IA reescreveu em Rust
Imagem: Martin Vorel CC BY-SA 4.0

O README tem uma confissão que, há dois anos, seria piada: o autor nunca leu uma linha do código.

O autor é Theo Browne, criador de conteúdo conhecido na comunidade de desenvolvimento web e fundador da Ping Labs. O projeto é o tsc-rs, publicado em 8 de outubro no GitHub como ts-rust. Trata-se de um port completo do compilador, do verificador de tipos e do servidor de linguagem do TypeScript 7 para Rust.

Quem escreveu foi o Claude Opus 5.5, da Anthropic.

Os números do projeto

Segundo o próprio repositório, os 181.711 testes portados da versão em Go passam. O port foi validado em 120 repositórios de código aberto. Em bibliotecas como TanStack Query e Hono, os diagnósticos saem idênticos aos da implementação oficial.

Na média geométrica de aplicações reais, o tsc-rs checa tipos cerca de 1,61 vez mais rápido que o tsc 7 e 11,4 vezes mais rápido que o tsc 6.

O custo da execução final ficou em torno de US$ 24 mil em chamadas de API, ao longo de duas semanas. Uma primeira versão funcional saiu em cerca de dez horas. Para comparação, uma tentativa anterior de Browne consumiu mais de US$ 420 mil em tokens e parou em torno de 84% de compatibilidade depois de meses.

Contexto: o TypeScript já tinha trocado de casa

Vale lembrar a história. A Microsoft anunciou em 2025 que o compilador do TypeScript, até então escrito no próprio TypeScript, seria reescrito em Go. É essa versão nativa que vira o TypeScript 7. O tsc-rs pega esse trabalho e leva para Rust, linguagem que domina boa parte das ferramentas modernas de JavaScript.

O projeto se apresenta como experimental. Não é oficial e não tem o aval da Microsoft.

Teclado de notebook com iluminação de fundo em ambiente escuro
Imagem: Colin CC BY-SA 4.0

Opinião

A pergunta incômoda: quem mantém?

Posso falar algo polêmico? O feito técnico é o menos interessante dessa história.

O que chama atenção é a frase do README. Um software crítico, que milhões de desenvolvedores rodam todo dia, foi produzido por um processo em que nenhum humano leu o resultado. Os testes passam. Os números são bons. Mas quando aparecer um bug estranho daqui a seis meses, quem vai abrir o arquivo e entender?

A resposta provável é: outra IA. E talvez esteja tudo bem. A suíte de testes vira o contrato, e o código vira um detalhe de implementação que se regenera quando precisa. É um jeito novo de pensar software, e muita gente boa já trabalha assim em partes do sistema.

O contraponto é real. Teste cobre o que alguém pensou em testar. Segurança, desempenho em caso raro e comportamento fora da curva costumam morar justamente no que ninguém previu.

Tem uma lição de marca escondida aqui também. Theo não ganhou atenção só porque o projeto funciona. Ganhou porque contou a história com transparência, com custo, com fracasso anterior e com a confissão de que não leu o código. Isso é território. Ele construiu uma comunidade que confia nos números que ele publica, e essa confiança vale mais do que o próprio repositório.

Para o mercado, a conta é direta. Reescrever um compilador era projeto de anos para um time especializado. Virou projeto de semanas com orçamento de carro popular. Isso não elimina engenheiro. Muda o que se espera dele: menos digitar, mais desenhar teste, revisar arquitetura e decidir o que vale fazer.

E você, confiaria seu build de produção num compilador que ninguém leu?

Fontes

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