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Dhar Mann vira 'chief creator officer' da Advertising Week e promete US$ 100 milhões para creators

Pela primeira vez, a Advertising Week New York teve um criador de conteúdo no comando da programação. A meta: gerar US$ 100 milhões em negócios entre marcas e creators em 12 meses.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • Dhar Mann foi o primeiro creator a assumir o posto de chief creator officer da Advertising Week New York.
  • O evento lançou a meta de gerar US$ 100 milhões em negócios entre marcas e creators em 12 meses.
  • Mann diz que as promessas de marcas já passam de US$ 100 milhões, sem revelar nomes.
Dhar Mann vira 'chief creator officer' da Advertising Week e promete US$ 100 milhões para creators
Imagem: Nielsoncaetanosalmeron CC BY 4.0

Durante décadas, a Advertising Week foi a festa das agências. Gente de terno discutindo mídia, verba e tendência. Em 2026, a edição de Nova York, de 5 a 8 de outubro, mudou o anfitrião. Quem comandou a programação foi um creator.

Dhar Mann, fundador da Dhar Mann Studios e dono de um dos canais de vídeos curtos de lição de moral mais assistidos da internet, assumiu o posto inédito de chief creator officer do evento. E chegou com um número na mão.

O desafio de US$ 100 milhões

A abertura, em 5 de outubro, lançou o $100 Million Creator Challenge. A ideia, descrita pela The Drum e pelo Digiday, é que apresentações e encontros feitos durante o evento gerem US$ 100 milhões em negócios entre marcas e criadores ao longo de 12 meses.

A medição ignora contrato assinado no corredor. A meta é calculada sobre orçamentos de creator marketing que marcas escolhidas a dedo confirmaram antes da abertura. Mann disse ao Digiday que conversou com diretores de marketing, sem revelar nomes, e que as promessas somadas já passam dos US$ 100 milhões. Na leitura dele, a semana serve para que "pessoas conheçam pessoas que de outra forma não conheceriam".

Gamificar o networking

A programação tinha cara de reality show. Desafios ao vivo, um segmento de "CMO mascarado" apresentado por Nick Cannon, um karaokê fechado reunindo 25 creators e 25 executivos de marca, e um jantar com Rick Ross sobre o que acontece quando o anunciante entrega autonomia criativa a quem produz o conteúdo.

O entorno também conta a história. Na mesma semana, o radar de vagas da Net Influencer mostrava empresas de mídia tradicional, como The Washington Post, Warner Bros. Discovery e NBCUniversal, contratando para funções voltadas a creators.

Opinião

O creator subiu para a sala da diretoria

O simbolismo aqui é maior que o valor. Nomear um criador como executivo-chefe de uma conferência de publicidade é admitir, em público, que o centro de gravidade mudou. A verba que antes ia para o comercial de TV agora vai para quem tem rosto, voz e comunidade.

A gente já viu esse filme no varejo de beleza. Rhode, a marca de Hailey Bieber, e Boca Rosa, no Brasil, provaram que audiência própria encurta o caminho entre atenção e venda. O creator deixou de ser mídia alugada e virou dono de marca. Quando um evento como a Advertising Week coloca um deles no palco principal, está só reconhecendo o que o mercado já fazia.

Agora, o ceticismo saudável. Promessa de US$ 100 milhões sem nomes de marcas é difícil de auditar. O próprio Digiday lembra que o setor segue fragmentado e que há um descompasso entre o que as marcas esperam e o que creators conseguem entregar. Meta grande é ótima para manchete. O teste real é daqui a 12 meses, quando alguém precisar mostrar a planilha.

Para quem cria conteúdo no Brasil, a lição prática é outra: as marcas querem menos alcance genérico e mais encaixe. Quem souber explicar o próprio público com dados e propor formatos que façam sentido para a marca vai pegar uma fatia dessa verba. Quem só mandar mídia kit com número de seguidores vai continuar esperando no corredor.

Fontes

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