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Chanel de Matthieu Blazy faz um ano com 83 looks e pássaros no Grand Palais

Na coleção que marca seu primeiro aniversário à frente da Chanel, o estilista revisitou as várias fases de Gabrielle Chanel. Parte da crítica viu a casa mais viva; parte do público achou desleixado.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • Matthieu Blazy apresentou 83 looks de primavera-verão 2027 da Chanel no Grand Palais, em 5 de outubro.
  • A coleção revisitou fases de Gabrielle Chanel e usou pássaros como metáfora principal.
  • Parte da crítica viu a casa mais viva; fãs do theFashionSpot acharam a coleção desleixada.
Chanel de Matthieu Blazy faz um ano com 83 looks e pássaros no Grand Palais
Imagem: Ștefan Jurcă CC BY 2.0

Um ano atrás, Matthieu Blazy estreava na Chanel sob uma expectativa enorme. No dia 5 de outubro, ele voltou ao Grand Palais para mostrar a coleção que marca esse primeiro aniversário. E deixou claro que não pretende tratar a casa como museu.

O desfile de primavera-verão 2027 teve 83 looks e um título longo: "La Conversation, Part Three, Different Faces of the Same Coin". A ideia central é que uma mulher carrega várias versões de si mesma ao longo da vida, e a coleção percorre a história da própria Gabrielle Chanel para mostrar isso.

Da menina eduardiana ao tailleur

O percurso vai da juventude de Gabrielle, no início do século 20, até o terninho do pós-guerra. Cada fase deixa marcas na seguinte. Na prática, isso apareceu em barras desfiadas, tricôs transparentes, cintura à mostra, alfaiataria amolecida, tule, estampas de inspiração folclórica e cores pouco óbvias para a marca.

Os pássaros foram a metáfora principal. Blazy contou que se inspirou nos bandos migratórios que observa durante as férias na Calábria, no sul da Itália. Movimento, transformação e liberdade: é assim que a cobertura especializada resumiu a intenção do estilista. As aves apareceram como detalhe decorativo ao longo dos looks.

Agulhas de tricô e novelos de lã sobre uma superfície
Imagem: Olliss (via Unsplash/Wikimedia Commons) Domínio público

A recepção

A crítica se dividiu. Parte das resenhas viu a continuação de um projeto claro: fazer a Chanel parecer menos embalsamada e mais viva, tratando o arquivo da casa como matéria-prima a ser trabalhada, e não como coleção de ícones intocáveis.

Do outro lado, membros do fórum do site theFashionSpot, termômetro tradicional dos fãs de moda, descreveram a coleção como mal ajustada, desleixada e sem impacto.

O peso do primeiro ano

O aniversário importa porque a Chanel é uma das marcas mais lucrativas do luxo e passou anos sob o comando de Virginie Viard depois de Lagerfeld. A chegada de Blazy, vindo de uma passagem elogiada pela Bottega Veneta, foi lida como aposta em renovação. Um ano depois, cada coleção é medida contra essa promessa, tanto pela crítica quanto pelo mercado.

Opinião

Herança não é vitrine

Quem é o cara que construiu a Chanel moderna? Karl Lagerfeld. E ele fez isso brincando com os códigos da casa por mais de trinta anos, não guardando eles numa caixa.

Blazy parece ter entendido a mesma coisa. O tweed, a pérola, o tailleur, tudo isso é patrimônio. Mas patrimônio parado perde valor. Marca de luxo que só repete o próprio passado vira souvenir.

O incômodo de parte do público é compreensível. Barra desfiada e tricô transparente na Chanel mexem com uma expectativa de acabamento perfeito. Só que é justamente essa fricção que mantém a marca na conversa. O raiz reclama, o público novo descobre. Esse enlace geracional é o que toda grife histórica precisa.

É o mesmo jogo que a Nike faz com o Jordan: o produto clássico segue lá, mas cada geração ganha uma leitura própria. A pergunta pra Blazy, no segundo ano, é se ele vai conseguir transformar essa leitura em peça que vende tanto quanto rende assunto.

Fontes

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