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East of Eden chega ao topo da Netflix e prova que clássico ainda vende

A minissérie de Zoe Kazan com Florence Pugh somou 6,5 milhões de visualizações em quatro dias e virou a série mais vista da plataforma na semana. Um romance dos anos 1950 batendo true crime não é pouca coisa.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • East of Eden, com Florence Pugh, somou 6,5 milhões de visualizações em quatro dias na Netflix.
  • Foi a série em inglês mais vista da plataforma na semana de 28 de setembro a 4 de outubro.
  • A minissérie tem sete episódios e 88% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.
East of Eden chega ao topo da Netflix e prova que clássico ainda vende
Imagem: Bureau of Land Management (mypubliclands) Domínio público

Num catálogo que vive de true crime e de documentário sobre golpista, a série mais vista da Netflix na primeira semana de outubro é a adaptação de um romance de John Steinbeck. Anota aí.

East of Eden, criada por Zoe Kazan, estreou em 1º de outubro com os sete episódios de uma vez. Em quatro dias, somou 6,5 milhões de visualizações — a métrica da Netflix que divide horas assistidas pela duração total. Foram cerca de 45,5 milhões de horas. Resultado: primeiro lugar no ranking global de séries em inglês na semana de 28 de setembro a 4 de outubro.

Quem saiu do topo foi Monster: The Lizzie Borden Story, que estava lá havia duas semanas. Clássico literário derrubando true crime. Não é todo dia.

O que é

A história acompanha a família Trask na Califórnia, do fim do século 19 às primeiras décadas do 20, numa releitura de Caim e Abel que atravessa gerações. Florence Pugh vive Cathy Ames, uma das vilãs mais famosas da literatura americana. Christopher Abbott e Mike Faist fazem os irmãos Adam e Charles Trask. O elenco tem ainda Hoon Lee, Martha Plimpton, Ciarán Hinds e Tracy Letts.

A crítica gostou. A série aparece com 88% de aprovação no Rotten Tomatoes, com selo de "Certified Fresh", e 81% entre o público. A atuação de Pugh é o ponto mais citado nas resenhas.

Formações rochosas e montanhas ao fundo em paisagem da Califórnia
Imagem: AndrewKPepper CC BY-SA 4.0

Por que funcionou

Tem três coisas acontecendo ao mesmo tempo.

A primeira é Florence Pugh. Ela virou uma daquelas atrizes que o público segue de projeto em projeto, e isso pesa no clique inicial.

A segunda é o formato. Sete episódios, tudo liberado no mesmo dia. É uma maratona de fim de semana com começo, meio e fim. Num momento em que muita gente está cansada de séries que se esticam por temporadas, uma história fechada é argumento de venda.

A terceira é o próprio material. Família, herança, inveja entre irmãos, uma mulher que ninguém consegue decifrar. É novela no melhor sentido. Steinbeck sabia disso em 1952.

Opinião

Clássico é IP que ninguém precisa explicar

Hollywood passou a década procurando "propriedade intelectual" em brinquedo, game e reboot. A Netflix lembrou que existe uma prateleira inteira de IP testada por gerações, com marca reconhecível e sem pagamento de licença para estúdio nenhum.

É o mesmo raciocínio do Oda com One Piece: uma história com estrutura sólida aguenta qualquer formato, de mangá a live-action, porque o público confia no núcleo. East of Eden tem um título que muita gente conhece sem nunca ter lido. Isso é atalho de marketing.

O risco é a plataforma entender a lição errada e sair adaptando todo clássico da lista de leitura escolar. Não é o livro que faz o sucesso. É o livro, mais a atriz certa, mais uma criadora com visão, mais um formato que respeita o tempo de quem assiste. Tira um desses e vira trabalho de faculdade com orçamento alto.

Por enquanto, o recado é bom: o público ainda aparece para drama adulto, bem feito, sem crime real como isca. Que os executivos estejam olhando.

Fontes

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